VERSÍCULOS
DE BAUMAN
- Eu não gosto do jeito que você esporra quando termina
- Me assusto quando você usa essas palavras
- Eu não gosto do jeito que você esporra quando termina
- Por quê?
- Porque você não é sutil
- Esporrar nunca foi uma arte sutil
- Poderia ser
- Não pode. Ejacular é algo fisiológico, não há muito controle
- Ainda sim, eu não gosto do jeito que você esporra quando termina
- Eu não vou mudar isso
- Por que?
- Porque você nunca fala do que realmente quer falar ou pensar falar, apenas escapa e escapa e escapa
- Eu não sei qual é o ponto, só sei que eu odeio e abomino o jeito que você esporra quando termina
-...
- Talvez se você mudasse isso, eu pudesse ter olhos, boca e um corpo para enxergar essas outras coisas
- Você é uma idiota. Você lê demais. Assiste a filmes demais. Chora demais. Se tranca demais. Você tenta escapar daquilo que existe lá fora, mas eu e você também somos aquilo.
(continua, continua, continua)
Novembro 17, 2009
Novembro 15, 2009
Fiquei um dia.Na verdade, foi a metade de um dia, porque naquele sábado eu voltei a trabalhar durante a manhã. Fiquei a metade de um dia de sábado escolhendo palavras que juntas pudessem te cortar. Não queria um ferimento grande, mas um corte pequeno, algo que se assemelhasse a um acidente com papel: sutil e ardiloso. Isso não é fácil. Não sou poeta, eu assassino poetas. Eu tentei.O sábado passou. O domingo passou.Veio quatro semanas chuvosas de novembro, houve duas semanas de calor em dezembro, e eu estou aqui, com um relicário de palavras perecíveis, que pouco a pouco, mofaram
Novembro 02, 2009
Someday
E ainda ontem eu tinha um feriado.Estava entregue tanto a cerveja morna do pub irlandês quanto ao cover tristemente divertido do Strokes.Antes da 12:51, a latrina transbordava urina matizada na lâmpada quase apagada. Os corpos, esses deixavam vazar só depressão e suor,nas narinas restavam os nacos de fumaças abstratas e na boca os dentes, presos e costurados, imóveis.
Outubro 13, 2009
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