Janeiro 20, 2012

De modo súbito, ele se aproxima de mim e suas mãos pesadas tocam meu cabelo sem qualquer cerimônia. Os seus olhos fixam-se na nódoa que há meses apareceu entre os fios do lado direito, algo discreto, mas não imperceptível. Penso em inventar qualquer coisa como, “já procurei um médico para ver isso” ou “um amigo já me indicou um ótimo xampu”, mas me calo e ele começa a falar que sempre teve medo de ficar calvo, existe um nervosismo tímido em sua fala...(continua)

Agosto 16, 2011

Dentre as muitas fraquezas que tenho, a maior delas é a covardia. Invejo os destemidos e as suas aventuras, as suas histórias e as suas cicatrizes: a falha no dente de uma briga em 97, o braço torto de uma confusão em 2001, o álbum de fotos da viagem feita para Praga sem nenhuma grana. Invejo até mesmo o preparo dessas pessoas para banhos frios e para discussões insólitas com senhores desconhecidos. Invejo as suas línguas experientes para cardápios variados e os seus olhos sempre blindados. Invejo, invejo e invejo.


Junho 15, 2011


Faz tempo que não escrevo por aqui, não sou escritor. Na verdade só escrevo quando estou no limite e há dias e meses que estou longe disso: é como se durante todo tempo eu estivesse diante de uma temporada de verão insuportavelmente quente, sob um sol apocalíptico, mas no conforto da frágil sombra de um guarda-chuva
A vida anda sem charme, sem perigo, corre morna, insossa. Não dou conta da faculdade, ela parece tão infinita quanto às continuações que um filme de Sylvester Stallone pode ter. Me sinto inapto para os meus amigos com minhas repetições e mau humor. Volto a me instalar em casa, a reivindicá-la como minha, invento um novo casulo, apesar de ter certeza que terei que abandoná-lo em breve.